Cuba: uma nova história

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Sempre tive um fascínio especial por temas relacionados à América Latina. E claro, é quase impossível falar de América Latina, sem pensar em Cuba, aquele pequeno país caribenho que despertou e continua a despertar tantos sentimentos e opiniões paradoxais através dos tempos. Ditadura, revolução, liberdade, socialismo, orgulho latino americano? Não é fácil definir Cuba. A história da ilha é repleta de mitos contemporâneos, verdades inventadas, mentiras maiores que a realidade e fatos que são difíceis de confirmar.

Fazendo uma busca pela biblioteca da faculdade, encontrei o livro Cuba: uma nova história, do jornalista e historiador britânico Richard Gott e instantaneamente me interessei. Depois de quase dois meses, tive tempo de terminar a leitura e posso dizer que o livro é um dos relatos mais equilibrados sobre a história cubana que já pude ler.

A obra é um prato cheio para quem se interessa pela complexa questão cubana e contempla fatos desde os primórdios da colonização espanhola, até os dias atuais. Passando pela época dos ataques dos ambiciosos piratas caribe e dos periódicos conflitos entre Espanha e Inglaterra na disputa pelo domínio da ilha, atravessando o conturbado século XX e chegando às incertezas do início do século XXI, temos um panorama do jogo histórico que envolveu Cuba pelos séculos, e a histórica busca de diferentes potências em ampliar sua esfera de poder.

O livro se torna mais envolvente à medida que chegamos aos fatos recentes da história da ilha e passamos a ter uma visão mais ampla de como os acontecimentos que se desenrolaram a partir do século XIX, influenciaram de forma decisiva a Cuba de hoje.

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O histórico interesse dos Estados Unidos em anexar a ilha aos seus domínios; o temor que acompanhou por um bom tempo parte da população branca de que os negros tomassem o poder, e a transformassem em um novo Haiti; e as guerras frustradas para se livrar do domínio espanhol no século XIX, que culminaram numa independência tardia, e na controversa interferência americana, que obrigou o novo país a anexar a humilhante emenda Platt à sua constituição, montam um contexto que ajuda a compreender grande parte dos acontecimentos que pipocaram em Cuba alguns anos depois.

Cuba: uma nova história, também desmente alguns mitos, como a da precária situação econômica e social do país nos anos Batista. Além disso, esclarece a participação da União Soviética na revolução de Fidel e explica a famosa crise dos mísseis nos anos 60, que para muitos analistas, quase levou o mundo para uma guerra nuclear, mas que numa visão otimista atual, não passou de uma manobra que só serviu como arma de negociação entre duas superpotências.

O autor também discute a relação cultivada entre Cuba e a antiga União Soviética e como o fim da URSS influenciou a situação social na ilha, criando o “período especial” no início dos anos 90, agravado pelo pouco questionado embargo econômico americano. Richard também fala das expectativas para o fim do regime – algo muito cogitado após o fim do bloco soviético, e sua opinião sobre o eventual futuro do país, sem Fidel Castro. Vale lembrar que Richard Gott, esteve em Cuba diversas vezes como correspondente, trabalhou para o jornal britânico The Guardian, e testemunhou de perto a Revolução Cubana nos anos 60.

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