O FIM DAS LOCADORAS DE VÍDEO

O que até o fim da década de 1990 era considerado quase um ritual – ir até à locadora do bairro nos fins de semana e escolher filmes para assistir em casa, vem se tornando um ato cada vez mais raro.

A partir da década de 1980 quando os videocassetes se popularizaram, a produção de fitas de vídeo para uso doméstico começou a crescer, e as pessoas puderam pela primeira vez levar o cinema até suas casas, o negócio de locadoras se tornou algo muito rentável. Na maioria dos países isso durou até o fim da década de 1990, quando as antigas fitas foram substituídas por DVDs e o maior acesso às conexões de internet por banda larga ajudaram a impulsionar os downloads de filmes.

No Brasil não foi diferente. Apesar do atraso na substituição tecnológica – em 2002 eram apenas 2 milhões de aparelhos de DVDS no país, contra 10 milhões de VHS, o declínio das vídeo locadoras não demorou a acontecer. Em 2005, no auge, eram cerca de 14 mil estabelecimentos especializados em locação de filmes no país, e cinco anos depois, já restavam  apenas 6 mil, uma queda de aproximadamente 60%.

Um dos fatores que mais pesaram para essa queda brusca, segundo apontam os comerciantes do setor, foi sem dúvidas a substituição de mídias. Pela dificuldade de se gravar uma fita VHS, era preferível alugar o filme e depois devolvê-lo, até mesmo porque financeiramente para o consumidor era mais vantajoso.  E os consumidores, mais que do que ninguém estão cientes disto: “Hoje em qualquer esquina do país é fácil encontrar vendedores ambulantes que comercializam DVDs piratas pelo mesmo preço do aluguel de um DVD na locadora”, afirma o consumidor Jonathan Henrique, grande fã de cinema.

Além da substituição de mídia – a fita pelo DVD, outro fator que influenciou no fechamento das locadoras foi o crescimento da internet por banda larga. Com conexões cada vez mais rápidas, muitos consumidores optam por baixar os filmes (de clássicos épicos, aos últimos lançamentos do cinema) em sites de compartilhamento ou até mesmo por assistir online através de sites como o Youtube.

Seguindo uma mesma tendência, as locadoras remanescentes, vem sobrevivendo com um certo jogo de cintura. A maioria se diversificou, vende desde alimentos até roupas, e em alguns casos oferecem entrega de filmes em domicílio.

Nem mesmo as grandes redes escaparam da reviravolta do mercado. Em 2007, uma das maiores empresas especializadas em locação de filmes, a Blockbuster, ícone do setor, foi adquirida por uma grande rede de lojas de departamento e suas filiais sofreram uma grande mudança. Todas passaram a comercializar produtos em geral, e a área de locação de filmes foi restrita a uma pequena área do estabelecimento.

A grande esperança dos donos de locadoras agora fica por conta do aluguel de games e do lançamento da mídia Blu-ray, que veio para ser a substituta do DVD. Com capacidade de até 50GB, ela oferece ao consumidor a possibilidade de assistir filmes em alta definição, e pelo alto custo de produção, já que se trata de uma tecnologia nova, é mais difícil de piratear. Porém alguns especialistas apontam, que para que isso ocorra é apenas uma questão de tempo.

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